Os Emergentes e as Novas Classes Médias

A economia capitalista é cÃclica, dinâmica e permite, de tempos em tempos, a mobilidade social, a emergência de novos consumidores e a transformação dos hábitos de consumo e dos estilos de vida de outras parcelas já incorporadas à democracia do consumo e das inovações.
Assistimos atualmente a ampliação da base de consumidores nas sociedades emergentes e novos grupos de classe média e ricos emergentes. Não vou teorizar aqui sobre os diversos perfis que surgem nas mais diferentes regiões do planeta. Isso exige um estudo mais localizado e minucioso. Vou falar de uma macrotendência ou de um novo ethos do consumo em voga: aliar sofisticação material e cultura, conforto e bom gosto, prazer e arte.
Parcelas crescentes das classes médias, se tornam grupos de status mais preocupados com a preservação e intensificação de seu presente estilo de vida, esforçando-se para manter a distância social e encerrar as oportunidades de consumo de certos bens e inovações aos outsiders ou arrivistes - os de fora. As novas classes C emergentes.
Esta preocupação com a manutenção de um gatekeeper ou de marcadores sociais que delimitam a distinção econômica e cultural é tão presente, quanto o gosto pela intensificação e embelezamento da vida, a dependência em relação às inovações da moda e a preocupação constante com o estilo de apresentação pessoal. Todos estes são indicadores das crenças e sentimentos destes grupos em relação ao consumo e a sociedade, e são pistas que permitem interpretar os fenômenos do consumo, hoje em dia.
Estes grupos e indivÃduos utilizam suas escolhas de consumo e a posse de certos bens para dizer quem são, procurando se auto-conservar frente à s “flutuações da balança de poder” da sociedade contemporânea.
Estes consumidores são os novos consumidores recentes de um portfolio expandido de novas categorias de produtos e marcas, mas não são nouveaux riches ou social climbers de plantão. São indivÃduos e consumidores mais crÃticos e bem informados, com um nÃvel de escolaridade maior e ocupam postos de gerência e direção nas grandes empresas. São mais sofisticados e detêm um alto senso de individualidade.
Eles buscam produtos e marcas voltadas para seus segmentos e grupos, produtos que tenham tradição e excelência, mas também modernidade e tecnologia. Os segmentos do “masstige” buscam valores tangÃveis: funcionalidade, tecnologia avançada e qualidade superior, mas aspiram acima de tudo, por marcas comprometidas com uma comunicação altamente emocional e que preencha suas expectativas de intensificação do prazer e gratificação psicológica.
Por Sérgio Lage
Por Sérgio Lage
(Sérgio Lage é mestre em Sociologia e Publicidade e Marketing pela USP.
Professor Universitário nas áreas de Antropologia do Consumo e Cultura Material, Tendências, Comportamento e Consumo, Posicionamento Estrátégico de Marca e Consumidores. Sérgio tem ainda uma consultoria na área de Comportamento e Tendências chamada What´Z´on - estudos e idéias. Nas horas vagas, adora escrever textos e crônicas sobre a vida moderna nos blogs Tendências, Comportamento e Consumo, Posicionamento Estrátégico de Marca e Consumidores. Sérgio tem ainda uma consultoria na área de Comportamento e Tendências chamada What´Z´on - estudos e idéias. Nas horas vagas, adora escrever textos e crônicas sobre a vida moderna nos blogs Alto Valor Agregado e Vidas no Singular. E-mail: sergiolagesp@gmail.com .)


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Jul 2nd, 2008 at 7:20 am
estranho, parece a descrição de uma classe social emergente “A” que de fato “está classa alta”, aliás me pareceu tudo bem confuso, certos aspectos não são novos como “estilo e desejos de consumo da classe da alta” e quando fala da nova classe C… fica incompleto… o que de fato percebo é que existe 1 transito entre classes sociais hoje no mundo, que para quem desenvolve produto a única saÃda é realmente ter um apelo emocional, seja pelo fim do mundo ou pela reconstrução dele. Hoje acho que as pessoas “estão /se sentem” classe A, B, C… nada mais assegura ser de uma determinada classe social pra sempre… e isto desencadeia todo um novo comportamento de consumo onde os valores são temporários, o único sentimento permanente é a insegurança, o que é bem inspirador para desenvolvimento de novos produtos, violência X proteção, vida X morte, …. enfim tudo pro aqui e pro agora!!