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A casa de Armando Vara nos arredores de Montemor-o-Novo
 
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Ex-professor de Sócrates envolvido no projecto
Morais, GEPI e construtora da Covilhã fizeram moradia de Armando Vara 
20.04.2007 - 09h03 José António Cerejo, PÚBLICO
Armando Vara, quando era secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna, recorreu ao director-geral do GEPI (Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do MAI) e a engenheiros que dele dependiam para projectar a moradia que construiu perto de Montemor-o--Novo.

Para fazer as obras serviu-se de uma empresa e de um grupo ao qual o GEPI adjudicava muitos dos seus concursos públicos.

Com 3500 contos (17.500 euros) o actual administrador da Caixa Geral de Depósitos e licenciado pela Universidade Independente tornou-se dono, em 1998, de 13.700 m2 situados junto a Fazendas de Cortiços, a três quilómetros de Montemor-o-Novo. Em Março de 1999 requereu à câmara o licenciamento da ampliação e alteração da velha casa ali existente.

Tratava-se de fazer uma casa nova, com 335 m2, a partir de uma quase ruína de 171 m2. O alvará foi emitido em 2000 e a moradia, que nunca teve grande uso e se encontra praticamente abandonada, ficou pronta meses depois. Já em 2005, Vara celebrou um contrato para a vender a um particular por 240 mil euros, mas o negócio acabou por não se concretizar.

Onde a história perde a banalidade é quando se vê quem projectou e construiu a moradia. O projecto de arquitectura tem o nome de Ana Morais. Os projectos de estabilidade e das redes de esgotos e águas foram subscritos por Rui Brás. Já as instalações eléctricas são da responsabilidade de João Morais. O alvará da empresa que fez a casa diz que a mesma dá pelo nome de Constrope.

A arquitecta Ana Morais era à época casada com António José Morais, o então director do GEPI, que fora assessor de Armando Vara entre Novembro de 1995 e Março de 1996. Nessa altura, recorde-se, foi nomeado director do GEPI por Armando Vara - cargo em que se manteve até Junho de 2002 - e era professor de quatro das cinco disciplinas que deram a José Sócrates o título de licenciado em Engenharia pela UnI.

Quanto a Rui Brás e a João Morais, trata-se de dois engenheiros que trabalhavam (e continuam a trabalhar) no GEPI, o gabinete então dirigido por Morais e tutelado por Armando Vara nos ministérios sucessivamente dirigidos por Alberto Costa e Jorge Coelho. Por esse gabinete passavam as adjudicações de todas as empreitadas e aquisições de equipamentos destinados às forças de segurança e a todos os serviços dependentes do MAI, no valor de muitas dezenas de milhões de euros por ano.

Constrope trabalhava para o GEPI

A Constrope era uma firma de construção civil sediada em Belmonte, que também trabalhava para o GEPI e tinha entre os seus responsáveis um empresário da Covilhã, Carlos Manuel Santos Silva, então administrador da Conegil - uma empresa do grupo HLC que veio a falir e à qual o GEPI adjudicou dezenas de obras no tempo de Morais. Santos Silva está também ligado a outras empresas, entre as quais a Proengel, um gabinete de projecto com o qual António Morais mantém relações profissionais através de uma das suas empresas, a Geasm.



Contactados telefonicamente para o GEPI, Rui Brás e João Morais começaram por negar qualquer ligação ao caso e acabaram a dizer que não falavam sobre o assunto. "Isso é com o director", disse João Morais. António Morais, Ana Morais, Armando Vara, Santos Silva e os actuais administradores da Constrope não responderam aos recados ontem deixados pelo PÚBLICO.

O processo de licenciamento da moradia de Armando Vara foi coordenado pelo então director do GEPI, existindo na Câmara de Montemor-o--Novo um fax que o prova, em papel timbrado do gabinete do secretário de Estado adjunto do MAI, dirigido a António Morais para o fax 213147060, precisamente o número do seu gabinete. Nesse fax, de 17/2/1999, a secretária de Vara escreve: "Conforme combinado com sua excelência o secretário de Estado adjunto do MAI, junto envio documentos referentes a Montemor-o-Novo." Os documentos são as quatro folhas do registo predial da propriedade de Vara, necessárias para pedir o licenciamento.
comentários
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Comentário 18.01.2008 - 23h34 - jorge, Covilhã
ver e ouvir o Sócrates na tv dizer que só conhecia o Antº Morais da universidade. Tenho amigos meus que, aquando da passagem do primeiro pela Câm. da Covilhã e do segundo pela Univ. BI, se lembram de ver ambos ir a fazer esqui para a Andorra. Ou como diz o outro da quadratura: "Há muita fraca memória nos políticos..."
Comentário 16.01.2008 - 22h27 - Anónimo, Lisboa
Enquanto houver quem continue, aproveitando o aparelho do estado, comprando com dinheiro e troca de influências a funcionários corruptamente organizados nos departamentos da administração, vinculados a interesses que não correspondem ao interese do cidadão anónimo mas ao seu enriquecimento pessoal e desses grupos, viveremos neste atrazo improdutivo, num país de cenários virtualmente democráticos. Da Justiça a Constrope já se encontra também a trabalhar para a Direcção Geral dos Impostos para onde saltou também do GEPI, Alfredo Filipe apadrinhado por António Morais, de cujo gabinete sairam, ainda no tempo de Paulo Macedo, alguns projectos para as finanças. É incrível a falta de vergonha com que estas pessoas se movem nestes meios, fazendo fortunas que ninguém tributa. Tudo isto é público, tudo isto é corrupção, tudo isto é fado. Por isso às vezes sinto-me incomodado por este povo aceitar pacientemente estes abutres sociais que comem tudo e não deixam nada como diria o Zeca.
Comentário 31.12.2007 - 18h18 - Francisco Jarnalo, Moita
Fico satisfeito por saber que no meu País há gente atenta, perspicaz e inteligente. Muito sinceramente, penso que os detentores de tais epitetos, podiam e deviam usá-los para fazer algo de mais positivo em prol do país. Como não me parece ter tais qualidades, limito-me a seguir factos, inteirar-me da sua veracidade e a concluir sem ataques pessoais. Ando preocupado com a facilidade com que se critica sem conhecer na íntegra os factos criticados. Conheço, parcialmente, a pessoa visado no artigo em epígrafe. Dela, sei tratar-se de uma pessoa inteligente, trabalhadora, exigente, frontal, sem rodeios na perseguição dos valores que defende e sem papas na língua na defesa da sua pessoa. Vigilância, sim, mas cuidado.
Comentário 21.04.2007 - 08h36 - Anónimo, Porto
Queixou-se o primeiro-ministro de "perseguição" atentando que a democracia não é só eleições de "x" em "x" tempo. Concordo. Com efeito, democracia é mais que eleições. É respeito pelos principios mais elementares do humanismo, do civismo, a defesa da verdade, da tolerância e da diferença e acima de tudo a elevação dos principios da liberdade, da igualdade e da fraternidade conquistados com a Revolução Francesa. Ora, queixou-se o primeiro-ministro que no caso da "UNI" tem havido coarctação dos principios democráticos. Não posso estar mais de acordo! É, na minha opinião, um caso paradigmático de violação reiterada dos principios democráticos. Há uma constante falta de verdade nas declarações prestadas sobre factos e sobre documentos com chancela de autenticidade. Essas falsidades partem infelizmente da classe dirigente do país e dos próprios garantes da autenticidade e autoridade do Estado. Há uma tentativa para conotar factos do trato privado, social, educativo ou cultural como factos politicos e uma ineficiencia do Estado no que se reporta à investigação de ilicitos cometidos pelas classes dirigentes. Há uma pressão constante sob os orgãos da comunicação social e manobras de diversão para afastar os cidadãos destas noticias incómodas. Estes são sinais indubitáveis do perigo que a democracia corre, porquanto são elementos tipicos dum regime totalitário. Nesta nossa democracia que agora vai comemorar mais um aniversário, lamento dizer que adqurimos apenas os aspectos formais que a tornam aparente, mantendo os tiques totalitários do nosso passado recente.
Comentário 20.04.2007 - 20h11 - Anónimo, Faro
Pior que esta corja imunda são os anormais que a defendem.
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João Paulo Guerra, "Diário Económico", 13 de Outubro de 2008
 
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