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Terça, 25 de Abril de 2006
Edição Papel
Director: António José Teixeira
Directores adjuntos: João Morgado Fernandes, Eduardo Dâmaso e Helena Garrido
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Lisboa
25.04.06
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Gratuito quer ser um "jornal vivo" feito sem "intervenção humana"



Marina Almeida
Paginação aproxima papel
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Junta a actualidade da edição online do diário El País à paginação tradicional de um jornal, está sempre pronto a ser impresso e é grátis. O 24 Horas espanhol nasceu ontem e pretende ser um "jornal vivo", que oferece as notícias de última hora organizadas em formato A4, em pdf.

Ruth Blanch, subdirectora de conteúdos da Prisacom, explicou ao DN que este "é um jornal fruto de um processo totalmente automático, sem intervenção humana". A máquina está programada para, mal recebe a ordem para descarregar a edição, colocar nas páginas iniciais do 24 Horas as "notícias mais recentes do ponto de vista informativo", seguidas pelas "mais consultadas pelos leitores em elpais.es". A última das 14 páginas exibe informação bolsista, o tempo e o cartoon diário exclusivo de Ramón Rodriguez.

O target deste novo projecto do grupo Prisa é "o público da imprensa tradicional que não gosta de ler no ecrã mas quer saber as últimas notícias e tem pouco tempo, exige agilidade", refere Ruth Blanch. A responsável rejeita a competição do 24 Horas com o El País, sublinhando que o novo projecto é um jornal para imprimir e ler as notícias mais importantes das últimas horas.

Manuel Pinto, investigador e professor da Universidade do Minho, acredita que este projecto pode ser uma preparação do El País para a fase "pós-papel" - que não perspectiva para breve. Trata-se da "transição entre o impresso e o online", numa experiência semelhante à que o belga De Tijd encetou no início do mês. O investigador considera que "há uma clara aproximação a um novo suporte que pode evoluir para o papel digital".
No caso do 24 Horas, destaca a "vantagem da paginação que permite criar uma réplica de um jornal, definindo o que é o destaque, a manchete" e assegurando as referências dos títulos tradicionais em papel. Manuel Pinto vai ficar atento às próximas "edições" deste 24 Horas. Numa primeira leitura, considera que o jornal mantém uma relação "convencional" com o leitor. "Ainda não é o daily-me", o "meu jornal" caminho por onde deverá passar, na sua análise, o futuro da imprensa.

Assistimos à "rentabilização das empresas de papel", analisa João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa (API). "Antes os jornais comentavam o que passava nas rádios e nas televisões, agora mostram que também podem dar notícias na hora, no momento e com uma mais-valia: permitem guardar a informação", aponta.

Palmeiro não tem dúvidas de que "a satisfação das necessidades de informação das pessoas está a mudar", mas não perspectiva o fim do papel. Antes sublinha que os "estatutos editoriais dos jornais vão ser valorizados", porque numa sociedade cheia de estímulos informativos "as pessoas precisam de se orientar".

No 24 Horas o presidente da API não vê grande novidade. Trata-se "do regresso de um projecto dos anos 90, em que havia uma forte concorrência entre o El País impresso e na Net, "em moldes mais adequados aos tempos modernos".
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