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Domingo, 13 de Julho de 2008

GRITOS DE FÉ



O apóstolo Paulo proclama sua fé em circunstâncias das mais adversas: Tudo posso naquEle que me fortalece. Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Sei estar humilhado, tenho experiências de fome e de escassez. (Filipenses 4:12,13).
Encontramo-lo ainda com Silas em uma situação angustiante, vivenciando uma fé que glorificou o Nome do Senhor. “Por volta da meia-noite, eles, tendo os pés presos em um tronco e havendo levado muitos açoites, oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam.” (Atos 16:24,25).

Estevão, na força de uma fé inabalável, sendo apedrejado, invocava e dizia: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito!” (Atos 7:59).

O Rei Josafá, diante de uma numerosa multidão que vinha contra seu reino, proclamou sua fé antecipadamente, com confiança e louvores: “porque em nós não há força para resistirmos a essa grande multidão que vem contra nós, e não sabemos nós o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em Ti.”
No entanto, aconselhando-se com o povo, ordenou cantores para O Senhor, que, vestidos de ornamentos sagrados e marchando à frente do exército, louvassem a Deus, dizendo: “Rendei graças Ao Senhor, porque a sua misericórdia dura para sempre.” (2ª Crônicas 20: 12,21).

Habacuque declara que ainda que tudo diga não, quando deveria dizer sim, ele se alegraria no Senhor e exultaria no Deus da sua salvação e ainda afirma: “O Senhor Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente.” (Habacuque 3:17-19).

Abraão, a caminho de Moriá, onde Deus lhe dissera que deveria oferecer seu filho em holocausto para Ele, responde com uma fé, quem sabe arrancada das profundezas da alma, a seu filho que lhe pergunta pelo cordeiro para o sacrifício: “Deus proverá para Si, meu filho, o cordeiro para o holocausto.” (Gêneses 22:8).

Jó já havia perdido tudo quanto tinha, mas a hora máxima da sua dor foi quando recebeu a notícia, a mais trágica, de que todos os seus filhos haviam morrido a uma só vez. Ele, num ato de fé absoluta, incomparável, levanta-se, rasga o seu manto, rapa a cabeça e lança-se em terra e adora Ao Senhor dizendo: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; O Senhor o deu e O Senhor o tomou; bendito seja O nome do Senhor!” (Jó 1:19-21).

Nosso amado pregador cego da Escócia, George Matheson, orando com uma fé singular, pede a Deus: “Ensina-me a glória da minha cruz, ensina-me o valor do meu espinho. Mostra-me que é pela vereda da dor que tenho subido a Ti. Mostra-me que as lágrimas formam na minha vida um arco-íris”.

A história da igreja é mergulhada em sangue de homens como João Huss, Wiclef, Jerônimo, que se negaram a abjurar suas doutrinas e foram condenados à fogueira, mas imbuídos de fé ao serem envolvidos pelas chamas, entoaram louvores Ao Altíssimo, levando à perplexidade seus algozes.

Vivemos em tempos em que se fala de fé para ter, ser, e nada de sofrimento.
Ninguém é masoquista, é certo. Tampouco Deus tem prazer em ver seus filhos padecendo. No entanto, não podemos negar que todos nós, a exemplo do próprio Jesus, aprendemos a obediência através do sofrimento.
A galeria da fé, em Hebreus onze, nos chama a atenção para aqueles que não foram e não tiveram “segundo” os padrões deste mundo; antes, foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; outros foram escarnecidos, açoitados, algemados e presos, outros apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos ao fio da espada, peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados.
E o que o escritor do livro de Hebreus articula acerca desses “pobres filhos de Deus”: homens dos quais o mundo não era digno, errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra.
Uma igreja sem mácula e sem ruga será arrebatada para Deus. Estaremos capacitados a passar pela fornalha, sermos forjados pelo fogo? Haverá purificação fora do fogo? O sangue de Jesus nos resgatou... Que Deus possa contar com as nossas vidas em toda e qualquer situação.
Pra. Guiomar Barba.

Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

O FILME






“Tu me sondas e me conheces, Tu me entreteceste no seio da minha mãe.”

Que segurança saber que Tu não me tratas segundo o que sou, mas segundo as Tuas misericórdias, que dia a dia se renovam sobre nós, os Teus filhos.
Quanta paz nos traz o saber que Tu sabes a causa das nossas mazelas, onde se deram inícios os nossos traumas e, por conseguinte, tens paciência conosco e nos amas incondicionalmente.
Jamais eu poderia entender porque teria tanto medo de casar se eu ansiava ter meu lar, meu marido, filhos, nem sequer sabia que fugiria da idéia de um registro civil, até quando fui pedida pelo meu namorado, de quem eu gostava tanto, em casamento. Que susto! Todo meu ser gritando que não, levando meu namorado a questionar minha atitude como irresponsável, já que eu não tinha uma justificativa coerente.
Terminamos, graças a Deus. Hoje posso agradecer, porque não seria ele o homem que Deus tinha para aquinhoar comigo uma vida conjugal.
O tempo passou, eu conheci realmente Ao Senhor e entreguei aos Seus cuidados esse passo tão sério que um dia daria em minha vida. Como Ele nos ama tanto e sabe o que é melhor para nós no coração de Pai, como é o do nosso querido Deus, Ele já havia escolhido em outro país, distante, aquele que haveria de unir-se a mim em amor e felicidade.
Conheci David, namoramos. Quando chegou o grande dia em que ele me propôs casamento, eu não estava preparada. O medo, as incertezas, a incógnita cerrou meu coração e a única resposta que eu tinha era: ainda não... Ele não desistiu, ele sabia que eu seria sua esposa, Deus já havia confirmado no seu coração essa certeza. Como Eliézer, servo de Abraão, ele pediu uma prova ao Senhor e O Senhor, que é O mesmo ontem, hoje e será eternamente, não lhe negou a petição e lhe respondeu segundo o que ele lhe propôs.
Deus trabalha com perfeição e coerência, portanto, Ele tratou comigo de forma maravilhosamente linda. Um belo dia, não lembro como, mas me passou na mente o “filme” da minha vida, conforme descrevo a seguir. Incrível.
Entre nove homens que nasceram aos meus pais, somente duas mulheres interromperam o curso da história da natalidade masculina. Tive uma criação machista, mamãe com a mentalidade de “Amélia, aquela que era mulher de verdade”. Meu pai, pastor evangelista, voltado para abrir trabalhos no sertão de Pernambuco, onde a pobreza era uma companheira impiedosa do sertanejo, e o que estava interiorizado no coração dele era o amor pelas vidas e não o lucro financeiro. Assim, vivíamos uma vida dura, de pobreza e muito trabalho doméstico.
Meus irmãos saiam para a escola, para jogar bola ou para suas diversões preferidas vindo para casa apenas nas horas das refeições ou quando tinham algum outro interesse.
Imaginem a quantidade de toalhas, meias, shorts e camisas sujas, sandálias, sapatos e objetos escolares espalhados para todo lado. Além de gavetas e camas para se arrumar, casa para se varrer, banheiro para lavar, roupa para passar e tantos outros afazeres que enchem a vida de uma dona de casa. Estes eram os entretenimentos meus e da minha irmã mais velha, já que homens “não deveriam fazer tarefas femininas”, ou seja, era o dever e sem nenhuma compensação, sem remuneração nem reconhecimento, o que realmente tornava a carga pesadíssima. Mas por favor, sem julgamentos contra minha família. Fomos vítimas de uma cultura que não morreu totalmente ainda hoje, pelo contrário, ainda existe em grande sucessão.
O mais precioso foi aquele filme passando lentamente em minha mente. E na medida em que ia se desenrolando como uma mágica, saneava o meu coração me trazendo também a visão correta sobre o lar, o casamento e a convicção absoluta que Deus me havia presenteado com o homem conhecido profundamente por Ele. Portanto, seria a pessoa certa. Meu marido continua confirmando para mim a cada dia, que a vida a dois não se embasa nos serviços domésticos da mulher, mas no compartilhar a vida entre duas pessoas que se amam.
Ele é aquele que sara as nossas feridas, destrói os traumas que nos aprisionam. Seus métodos são infalíveis. Pra. Guiomar Barba.

Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

CORRESPONDENDO




“Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço.”

No meu coração estas gravado, Senhor, pelo Espírito Santo. Estás entronizado dentro de mim e todo meu ser deseja que lhe sejas Senhor absoluto, que tenhas alegria no meu servir, no meu caminhar, no meu agir.
Que à Tua voz eu me renda em amor e submissão, com o coração palpitante de gozo e alegria por ser Tua, pertencer-Te plenamente.
Que sejamos Um, em uma confluência perceptível ao mundo. Quero viver tão intensamente a Tua vida que meus olhos irradiem a Tua luz, a Tua santidade.
Quero a Ti posto como selo sobre o meu coração, em uma intimidade única.
O Teu apelo me enleva, me faz esquecer as minhas transgressões e sentir-me desejada pelo mais amado de todos os amados, faz-me sentir que sou muito além dos atributos humanos, sou filha do Grande Rei do Universo, daquEle que Era, que É e que há de Ser para toda a eternidade.
"Quero que permaneças como selo sobre o meu coração."

Não me basta que estejas apenas como selo sobre o meu coração, quero atender o Teu pedido e Te pôr como selo sobre o meu braço. Assim todo o mundo saberá que Te pertenço, que tenho contigo uma aliança inauferível que jamais poderá ser rompida, mas que perdura para toda a eternidade.
Quero frutificar, dar fruto saudável, suculento, apetitoso, que desperte naqueles que ainda não Te procuraram o desejo de nascer em Ti, e nos que Te seguem, mas não provaram das Tuas delícias, o desejo de prosseguir em Te conhecer.
Anelo aprender contigo a ser humilde, mansa, chorar, ter fome e sede de justiça, ser misericordiosa, limpa de coração, pacificadora, se perseguida, que seja por causa de justiça e jamais por corrupção, e que eu saiba me regozijar e exultar enquanto ore pelos meus inimigos, sem amargura, mas com o coração cheio de amor como nosso irmão Estevão orou.

Quero trazer no meu corpo as Tuas marcas; no meu linguajar, a Tua santidade; no meu ouvir, a Tua compreensão; no meu olhar, a Tua ternura; no meu servir, a Tua abnegação; na fraqueza do próximo, a Tua misericórdia; nas doações, a Tua discrição; no saber, a Tua humildade; nas disputas, deixar a Tua justiça agir; nos relacionamentos, seguir o Teu amor. Quero ser diligente em buscar o que me falta ainda conhecer e me empenhar por vivenciar o que não ignoro. Quero ser plenamente crucificada com Cristo. Quero que o mundo veja o Teu selo sobre o meu braço.
Sei, Senhor, que serei a única beneficiada nessa demanda, entendo que mesmo abençoando outras vidas, tudo redundará para mim em eterno peso de glória. “Ponho-Te como selo sobre o meu coração e sobre o meu braço”, porque reconheço que fora de Ti não há algum Senhor, Deus ou Amor que possa ser mais desejável que Tu; que És Eterno, Majestoso, Sublime, Incomparável, Santo, Puro, Rei dos Reis e senhor dos senhores, que viestes para vencer e És vencedor para todo o sempre. Diante de Ti me prostro, Majestade gloriosa, Amigo da minha alma.
Pra. Guiomar Barba.

Sábado, 5 de Julho de 2008

INGRID, MINHA SURPRESA



“Quem disser que a natureza é indiferente às dores e preocupações dos homens, não sabe dos homens nem de natureza.” José Saramago.

Comecei a orar pela proteção e libertação da Ingrid a partir do dia em que recebi um e-mail de um amigo contendo a carta que ela havia escrito à sua mãe descrevendo sobre o seu terrível dia-a-dia no cativeiro.
Muitas vezes despertava pela madrugada e, não tenho dúvidas, que O Espírito Santo de Deus me trazia Ingrid ao coração e eu clamava, algumas vezes com lágrimas e gemidos para que Deus a aquecesse, alimentasse e desse a ela o privilégio de abraçar os filhos e a sua mãe que ela tanto amava.
Talvez tenha uma remota noção do que é ser refém de traficantes possessos de ódio, de desamor à vida, que têm um único objetivo: “Narcotráfico”.
Nos longos vinte anos que trabalhamos com viciados em drogas, fui designada para ir à Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, onde abrimos um centro de reabilitação para “drogaditos”. Conhecemos pessoas que foram escravizadas em cartéis e conseguiram fugir, que viveram como verdadeiros robôs a serviço dos “soberanos.” Eles tinham pavor de abrir a boca e pronunciar uma única palavra, todo tempo olhavam para os lados como se fantasmas os perseguissem a todo o momento. Era imposto a tantos quantos trabalhassem para os donos no fabrico das drogas, não olhar sequer para a pessoa que estava ao seu lado. Conhecemos, já em outra cidade, fora de Bolívia, um dos chefes de cartel, rapaz jovem, bonito, culto e que desesperadamente queria libertar-se do cartel onde nasceu, mas sabia que isto lhe custaria a própria vida. Era como um animal acuado. Ouvi muitas histórias que me cortavam o coração.
Portanto, podia sentir um pouco da aflição da Ingrid Betancourt, empatia seria exagerar, mas havia uma comunicação do Espírito de Deus ao meu coração nas horas, creio, que mais que ela necessitava.
Estava chegando o dia do nosso aniversário, então pedimos a Deus uma surpresa. Falamos com Deus que não necessariamente algo para nós.
Exatamente no dia dois de julho, quarta feira última, eu estava na cozinha e na minha cabeça planejava uma forma de libertá-la, devaneios do coração. Mas foi exatamente poucas horas depois que meu filho gritou: mainha! Vem ver. Quando cheguei à frente do computador, mal podia acreditar, lá estava a notícia: Ingrid liberta. Soltei um grito de alegria, mas foram necessários vários minutos para cair a ficha. Então comecei a chorar, mas chorar de gratidão e alegria: minha Surpresa! Foi mais grandiosa do que qualquer coisa que mais quero e tenho pedido a Deus, segundo a nossa necessidade. Sei que meus clamores fizeram coro com muitos outros, e muitos corações puderam entoar comigo o cântico de vitória pelo livramento que Deus deu a Ingrid.
Deus estava com os olhos postos sobre aquela mulher que jamais rendeu o seu caráter ilibado à corrupção. Que conhece os desatinos dos que são vendidos às drogas e se tornam prisioneiros pelo vício dos traficantes implacáveis, que por sua vez estão também acorrentados a uma lei maldita interior, lei do “amor ao dinheiro”, que confina corpo, alma e espírito na masmorra da morte e que muitos deles também são reféns dos superiores.
"Permanecer encarcerado num ambiente tão inóspito esmaga as resistências do corpo e quebranta as forças da alma."
"Quão desumana a humanidade tem se tornado, a ponto de infligir tal pena a uma vida." Ingrid.

Sabemos que ela não vai parar. “Estou consciente dos perigos, mas estes não me farão recuar. É nisso que reside a minha esperança" diz Ingrid.
Está disposta, ladeada por seus filhos, que mal começaram a viver e já foram sacudidos pela maldade deste mundo que se deteriora, "basta conhecer a linguagem do olhar, reparar nos seus olhos todo o peso de uma dor que desde cedo tiveram que aprender a carregar nos seus peitos."(vídeo) a lutar contra o narcotráfico, contra as forças malignas que atuam neste mundo tenebroso, utilizando pessoas sem escrúpulos, que se prestam a toda e qualquer iniqüidade.
"A sua cruzada não visa apenas o resgate da sua amada mãe, é, antes, a nossa cruzada em busca do resgate da nossa humanidade perdida na selva do esquecimento."(vídeo)
Emocionei-me lendo sua carta, percebendo o quanto ela ama a Deus e como em nenhum momento ela questionou o amor dEle por ela. Jamais se deixou amargurar pela situação lastimável que estava embora sem culpa. Atribuiu a Deus o direito de decidir sobre o seu destino, reconhecendo a Sua soberania e fidelidade. "Caso contrário, e se Deus decidir de outra forma, nos encontraremos no céu e Lhe agradeceremos por Sua infinita misericórdia.” Ingrid.
Procurou tirar as melhores lições do cativeiro, reconhecendo a sua finitude. "A cada dia, resta um pouco menos de mim mesma." Percebeu toda fragilidade e impotência que lhe faziam refém como nenhum ser humano poderia fazê-la e, embasada em todas as lições, aconselhou os seus filhos a serem simples e valorizarem sempre as coisas que irão consigo para a eternidade. “Deus nos enviou essa prova a fim de que saiamos dela maiores, sejamos humanamente melhores e descartemos tudo que é inútil e estorva a alma.”
“Viver é isso: crescer para se pôr ao serviço dos outros.” Ingrid.

As longas conversas que manteve com seu pai, nas quais por vezes discorreram sobre a situação confortável da família na Europa e o sofrimento por que passa grande parte da população de sua terra natal, certamente contribuem na sua decisão de regressar à Colômbia.
Ingrid resolve seguir o chamado do seu coração, ciente de todos os riscos e desafios que tal decisão acarreta. (vídeo).

Trecho da sua carta:
Mamita estou cansada, cansada de sofrer. Fui, ou tentei ser, forte. Esses seis anos ou quase de cativeiro demonstraram que não sou nem tão resistente, nem tão corajosa, inteligente e forte quanto pensava. Travei muitas batalhas, tentei a fuga diversas vezes, procurei manter a esperança como mantemos a cabeça fora d'água. Mas hoje, mamita, sinto-me vencida. Eu gostaria de pensar que um dia sairei daqui, mas percebo que o que aconteceu com os deputados (3), e que me deixou arrasada, pode acontecer comigo a qualquer momento. Acho que seria um alívio para todo mundo. Sinto que meus filhos levam uma vida em suspenso na expectativa da minha libertação, e o seu sofrimento diário, o de todo mundo, faz com que a morte me pareça uma opção amena. Juntar-me a papai (4), por quem permaneço de luto: todos os dias, há quatro anos, choro a morte dele. Continuo a acreditar que vou acabar parando de chorar, que agora cicatrizou. Mas a dor volta e se lança sobre mim como um cão desleal, e torno a sentir meu coração se espatifar em mil pedaços. Estou cansada de sofrer, de carregar essa dor comigo todos os dias, de mentir para mim mesma achando que tudo vai terminar e constatar que cada dia equivale ao inferno do dia anterior. Penso nos meus filhos, nos meus três filhos, em Sébastien (5), em Mela e em Loli (6). Muita vida se esvaiu por entre nós, como se a terra firme houvesse sido tragada pela distância. Eles são os mesmos e não são mais os mesmos. Cada segundo da minha ausência, em que não posso estar aí dedicada a eles, para tratar suas feridas, aconselhá-los, dar-lhes força, paciência e humildade para enfrentar a vida, todas essas oportunidades perdidas de ser mãe envenenam meus momentos de infinita solidão, é como se me injetassem cianureto nas veias, gota a gota. (Ingrid).

“Ajude-me a suportar o que não posso compreender. Ajude-me a mudar o que não posso suportar.” São Francisco de Assis.

Ingrid, na verdade, é para todos nós uma lição de vida, um estímulo para lutarmos por aqueles que estão morrendo nos cárceres das drogas.
Pra. Guiomar Barba.

Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Da Fantasia à Necessidade



Pela psicóloga Luiza Curti :


Com a “invenção” dos filmes eróticos (na maioria é pornô mesmo, de baixíssima qualidade), o que não passava de fantasia, de apenas um desejo não realizado, passou a emprestar os padrões performáticos das “atrizes” e transpô-los para a realidade sexual, exigindo, os homens, o mesmo de suas parceiras.
Na outra ponta, as mulheres sedentas de elogios performáticos, desejosas não de prazer, mas como objeto de prazer, numa postura de realizar as fantasias masculinas ou devido suas inseguranças édipicas? Aceita o papel de “impressionar” pelas habilidades adquiridas e “assumidas” na liberdade sexual, mostram que outro tipo de mulher, de poder feminino, tomou o lugar da mãe zelosa, mas continua sexualmente submissa da mesma maneira.

Deep Throat foi o marco e por pouco não virou cult, mas deixou muitos homens acreditando que as mulheres poderiam ter orgasmo através da garganta. O Cult mesmo ficou por trás do filme “O Império dos Sentidos” dirigido por Nasgisha Oshima. Depois disso, na verdade, deixa de existir o filme erótico, porque todos os filmes dão prioridade ao erotismo, de uma forma ou de outra. Ludibriam aqui e ali, mas acabam todos nas cenas de sexos explícitos. Se não vistos assim, muito mais pela arte da iluminação e de efeitos especiais responsabilizados pela ausência de vulgaridade. Inúmeros filmes poderiam ser chamados de pornôs e se não o são é porque são mascarados pelas fictícias cenas realistas.

Há uma distinção entre Erotismo com pornografia devido suas diferenciações: erotismo vai de encontro com sensualidade e pornografia se caracteriza pelo obsceno. As relações sexuais passaram mais a contar com um enchimento, banalizando as fantasias. Os homens passaram a achar absolutamente normal, aplicar os filmes pornográficos em suas vivências sexuais. As fantasias, a criatividade deixou de existir como original do momento e por conta dos pares. "a cena como naquele filme...". Mais ainda, inverteu-se a célebre frase: com a mãe dos meus filhos não posso fazer isso! Se por um lado isso é quebrar tabus bestas, por outro, cria mais um nó górdio na questão das relações íntimas. Um dos parceiros, o homem quase sempre, gosta e quer a parceira "atriz". Em geral, a mulher mesmo não gostando nem querendo, acaba por realizar a fantasia do homem porque ela ainda se pensa obrigada a satisfazer, por imposição, a vontade dele.

Perigosamente a banalização da erotização dos filmes pornôs, pode ultrapassar o limítrofe entre a perversão sexual e generalizar-se como sociopatia. Se houver, digamos assim, maiores investimentos direcionados para a indústria dos filmes sadomasoquistas, a possibilidade de que o sexo anal não seja feito apenas pela introdução do pênis, mas, também, de objetos e como é prática no sadomasô, a introdução do punho cerrado, uma mão fechada através do ânus, com certeza, passará a ser aceita como normalíssima.
Dita como normal e comum, a prática de sexo anal, fabrica muitas mulheres "frígidas". Essa nova conceituação de frigidez representa mais um artifício para forjar mulheres "anormais" e ruins de cama.
Hoje, todo homem exige que as mulheres tenham a garganta profunda para caber todo o pênis dele e um ânus disponibilizado para uso imediato. Ora, as mulheres que aparecem nos filmes, são profissionais, que treinam com disciplina para ganhar dinheiro. Na relação anal, com aquelas caras e bocas, elas não estão ali carregando o dia atribulado da vida doméstica, ou mesmo para as solteiras, que deixaram seus escritórios, de cabeça quente, frustradas e cansadas. As profissionais dos filmes pornôs estão "atrizes" preocupadas com o rosto e a pose, com o diretor e com as luzes e câmeras. Abstraídas, quase sempre, de envolvimento afetivo ou sexual.
Existem outros aspectos exemplo disto, caso de pessoas portadoras de fissura anal, hemorróidas internas e externas, para as pessoas com estas sintomatologias a relação anal se torna algo insuportável, já que a área anal é uma região das mais irrigada por enervação e de musculatura extremamente rígida.

Algumas vezes, as causas da disfunção sexual feminina são mentais, não físicas. Depressão, culpa e emoções conflitantes sobre o próprio corpo podem resultar em experiências sexuais ruins. No entanto, existem maneiras de combater este tipo de disfunção sexual. Como exemplo, os casais devem ter um canal aberto de comunicação para manter um relacionamento sexual saudável e vibrante. As categorias de causas físicas e psicológicas de problemas sexuais podem ser divididas entre aquelas que são simplesmente devido a diferenças entre homens e mulheres. Por exemplo, disparidades no desejo sexual infelizmente são fontes comuns de frustração, culpa e, algumas vezes, hostilidade. Na realidade, é raro para um casal sentir o mesmo desejo exatamente ao mesmo tempo. Normalmente é necessário negociar e ceder. O estado de excitação do homem geralmente é mais rápido do que o da mulher, o que explica por que o orgasmo mútuo, tão almejado, não é fácil de atingir. Isto não é falta de compatibilidade, como muitos casais podem acreditar, mas uma diferença biológica de cerca de 3 minutos: o estado de excitação do homem dura quase 10 minutos, enquanto o da mulher mais ou menos 13.
As respostas sexuais entre as mulheres são tão variadas que a incapacidade de atingir o orgasmo só é considerada uma disfunção se existe uma inibição psicológica específica ou uma debilitação física. Renomados terapeutas sexuais como William Masters e Virginia Johnson e o co-autor e Dr. Robert Kolodny dizem que, relativamente, poucos casos de disfunção orgásmica têm uma causa médica.
Todo aprendizado é proveitoso quando sabemos reter o bem. Pra. Guiomar Barba.

Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

SEXO LIVRE



“Beija-me com os beijos da tua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho.” Cântico 1:2.

Salomão, em uma linguagem poética, doce e pura, registra um diálogo de amor ardente com sua esposa, a quem ele chama de noiva minha, o que também podemos traduzir como uma simbologia de Cristo e a igreja amada. No entanto, trazendo à realidade, pela intimidade física entre ambos, ele se referia à mulher que ele já conhecia sexualmente.
“Os teus dois seios são como duas crias, gêmeas de uma gazela, que se apascentam entre os lírios.” 4:5.

“De noite, no meu leito, busquei o amado de minha alma, busquei-o e não o achei.” 3:1.

Em todo o livro, Salomão fez registros de uma sexualidade em chamas, uma sexualidade que observa o corpo da amada, descrevendo-o com ímpetos de desejos correspondidos pela parceira numa beleza peculiar.

Penso nos casais que nunca tiveram uma interpretação clara da bíblia quanto ao relacionamento a dois e vivem sob um julgo de pecado entre o que fazem e dá prazer, e o que deveriam não fazer privando-se desse aprazimento. São pessoas totalmente sem orientação sexual, que se debatem com perguntas simples como: é pecado fazer sexo em várias posições?
O casal deve escolher as posições que mais lhe dão prazer e variar quantas vezes desejarem, por a mão a onde lhes apraz, sempre procurando satisfazerem-se mutuamente sem reservas. Salomão recebeu o seguinte conselho: “Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade, corça de amores e gazela graciosa. Saciem-te os seus seios em todo o tempo; e embriaga-te sempre com as suas carícias.” Provérbios 5: 18,19.
Dizia eu: subirei à palmeira, pegarei os seus ramos. Sejam os teus seios como o cacho da vide, e o aroma da tua respiração, como o das maçãs. Os teus beijos são como o bom vinho. Cântico, 7:8,9.
É pecado usar roupa sensual? O corpo em uma relação sexual deve ser usado como instrumento de provocação. Em especial a mulher, tem as mais variadas formas de incitar o macho e deve aproveitá-las bem para excitação de ambos. As roupas insinuantes ficam a seu critério, sem que esteja, ou estejam transgredindo leis morais.
É importante que o casal seja livre, não haja acanhamento, que se conheçam perfeitamente, sabendo o que mais estimula um ao outro, sendo criativos, procurando cada um a satisfação do outro. Lemos na Bíblia a instrução que: O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente a esposa, ao seu marido.
A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher. 1ª Coríntios 7:3,4.

Paulo está dizendo: olha, faça com a sua mulher na cama o que agrada a ela, e vice-versa. Ficando explícito também que o sexo é um prazer a dois, e não uma satisfação apenas do macho.
Não ignoramos que há casos em que na maioria das vezes o homem quer submeter a mulher a atos luxuriantes, o que é condenável pela palavra e muito fácil de identificar como pecado: “Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza;” Romanos 1:26.

Sempre escuto as pessoas atribuindo este “contrário a natureza” ao lesbianismo, embasados no versículo seguinte: semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homem com homem, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.

É óbvia a alusão ao homossexualismo, está clara. No entanto, ponderemos:
O sexo anal, por exemplo, é “natural” ou “contrário a natureza”? Qual a função do ânus? Cada órgão no nosso corpo tem sua função bem definida. Se alguém quer argumentar ao contrário não anula as verdades sagradas, nem justifica seu pecado.

A próxima mensagem traremos uma matéria bem especial de uma psicóloga que aborda amplamente sobre as fantasias sexuais. Que Deus nos dê sabedoria para desfrutarmos dos prazeres que Ele nos legou nesta vida.
"Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol. Eclesiastes 9:9.

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

COM CAMISINHA OU SEM CAMISINHA


Do meu ponto de vista, a camisinha virou símbolo de promiscuidade sexual. Assim como ela é um produto descartável que depois de usada se joga fora, as pessoas que a utilizam também “se jogam fora". Temos hoje uma geração de homens e mulheres descartáveis, onde se usa e abusa um do outro, formando, por conseguinte, um enorme exército de pessoas machucadas e oprimidas pelo sexo fora do casamento. http://renatovargens.blogspot.com/2008/06/bota-camisinha-meu-amor.html
Confirmamos com o Renato, respaldada na palavra de Deus, que é categórica e não deixa dúvidas que o sexo fora do casamento é prostituição, adultério, em suma promiscuidade. Deus, que criou o homem, sabe perfeitamente que uma relação sexual a dois não envolve apenas corpos, e sim, há uma fusão trinitária. Partindo deste princípio, visando a nossa saúde no corpo, na alma e no espírito, Deus instituiu o casamento, instruindo também que esta união não deveria jamais ser baseada em uma escala de valores fúteis, que leva a um desenlace imediato, trazendo conseqüências dolorosas para ambos; mas em equivalências alicerçadas no amor, que redunda em uma vida de harmonia, respeito, companheirismo, amizade, e tantos sentimentos quantos forem necessários para fortalecer o matrimônio.
“A ordem de Deus ao criar o macho e a fêmea foi: Por esta causa deixará o homem, pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem.” Mateus 19:5,6.
Percebemos que Deus também teve o cuidado de assinalar a ambos os sexos a procedência no convívio, com o intuito de que a união não fosse interrompida em detrimento da família. Infelizmente, uma grande maioria não tem disposição de submeter-se aos sábios padrões de Deus. Preferem ditar suas escolhas e modo de viver, em busca de uma suposta liberdade, trazendo para si e para o seu convívio adversidades tamanhas.
Aí temos pais que compram camisinhas para os seus adolescentes, sugerindo-lhes claramente uma vida de libertinagem sexual e moral... Em conseqüência, esses adolescentes se sentem inseguros, a mercê das suas próprias decisões e eleições sem ainda estarem preparados para enfrentar um mundo que se deteriora dia a dia. Quando os conflitos começam a emergir através das agressões, vícios, desinteresse pelos estudos, enfermidades físicas e emocionais é hora de correr para o psicólogo, de apelar para as detrações, comparações que arreliam ainda mais a vida do adolescente, culminando em graves conseqüências.

Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém ofenda ou defraude a seu irmão; porque O Senhor, contra todas estas coisas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador, porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação. Dessarte, quem rejeita essas coisas não rejeita o homem, e sim a Deus, que também vos dá o Seu Espírito Santo. (1ª Tessalonicenses 4:3-8).
Deus, por sua vez, estabeleceu leis punitivas contra aqueles que violassem uma virgem ou a tratasse sem decoro.
Não podemos omitir que quando se respeitava mais a virgindade, ainda que de forma errônea, havia uma maior valorização do casamento e um maior respeito para com as mulheres.

Partindo do princípio que muitas pessoas, equivocadamente, consideram o sexo como uma prática de amor, lembramos que os animais fazem sexo por instinto, onde aparecer parceiro e sem compromisso. É exatamente desta maneira que se tem praticado o “amor”, banalizando, assim, esse ato tão belo e respeitável que Deus nos outorgou para nosso desfrute em amor.

Ter relações sexuais não implica em fazer amor. Aliás, amor não se faz, se vivencia. Nos prostíbulos, automóveis, praças, praias, motéis, hotéis, casa de cômodo ou qualquer lugar, mesmo público, que pessoas inconseqüentes, sem amor próprio, sem responsabilidades, sentem impulso, se usam como verdadeiros instrumentos de um prazer carnal, que resulta em enfermidades sexualmente transmissíveis, enfermidades da alma, baixa auto-estima ou mesmo um desvalor absoluto da beleza dessa relação a dois.
♥“Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte.”♥

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

NELE PODEMOS CONFIAR


Confiar mesmo sem respostas, sem promessas, até mesmo quando nossa voz, de tão débil, já nem sequer provoca ecos.
Sem medos, sem desilusões, com esperança firme, inabaláveis.
Confiar mesmo com o céu escuro, em temporal, ou com o sol causticante e a terra rachada.
Com o barco à deriva no mar revolto, sem esperança de chão.
Confiar quando os amigos se vão, os parentes abandonam e tudo é solidão.
Quando não tem pão nem teto seguro, trabalho e nem expectativa sequer.
Quando o mundo gira, as horas passam, tudo caminha e parece que só nós não saímos do lugar.
Confiar quando as enfermidades minam nossas energias e os médicos estão fora de alcance, muito mais os remédios, e nós ainda temos que trabalhar.
Quando nos caluniaram e nós não temos como provar o contrário.
Quando Judas nos traiu e não há como não morrermos...
Confiar quando, como mendigo sob a mesa do rico, comemos migalhas e sentimos a baba da língua do cão sobre as nossas feridas abertas, purulentas e fétidas.
Confiar que quando nossos credores quiserem levar nossos filhos como escravos, Elizeu virá e teremos azeite para vender e pagar as dívidas.
Quando o gigante inimigo se aproxima e somos como um gafanhoto diante da sua fúria e estatura.
Confiar quando somos humilhados pela esterilidade que nos impede de gerar vida.
Quando Jesabel, Acabe, Saul nos cata como a uma agulha no palheiro, famintos de sangue e de uma vingança sem causa, pretextuosa apenas.
Confiar quando alguém, ardendo em ciúmes, inveja, descobre um meio de puxar nosso tapete.
Confiar quando ninguém acredita em nós e atribui nossas adversidades a um castigo divino.
Quando, como José, nos encontrarmos no calabouço frio, escuro, sem um justo procedimento.
Confiar quando a tarefa nos pareça árdua, ou acima da nossa capacidade.
Quando Deus nos ordena: deixa a tua casa e a tua parentela e vai para a terra que Eu te mostrarei.
Confiar quando nosso único filho chora por água e nós não vemos um poço.
Quando, como Gideão, pensamos que a nossa família é a mais frágil da terra e percebemos inimigos se aproximando para destruí-la totalmente, mas o anjo nos diz que nós o esmagaremos.
Confiar quando Esaú está vindo no nosso caminho com uma multidão e nós sabemos que temos uma dívida para com ele e o intento do coração dele seria matar-nos.
Confiar quando a figueira não floresceu nem a vide deu fruto; o produto da oliveira mentiu, e os campos não produziram mantimentos; e as ovelhas foram arrebatadas do aprisco, e nos currais já não há gado.
Confiar que os nossos pés serão como o da corça e andaremos altaneiramente.

Quando o nosso espaço se limitar a uma gaiola, nós ainda poderemos desferir o cântico de confiança naquEle que é soberano e trabalha para aqueles que nEle esperam. Em Deus sim, podemos confiar.

Sábado, 21 de Junho de 2008

ENGANADOR OU VERDADEIRO?




Verdade velada, mentira disfarçada, atitudes camufladas que já não se ocultam, já não encontram espaço, escorregam pela linguagem do corpo, pela voz engodosa, pelo poço negro dos olhos escuros de tanta mentira.

“Deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros”. Efésios 4:25.

Descoberta a mentira, foi-se a confiança. Cada palavra, cada promessa, cada conversa viaja à deriva na mente desconfiada do que uma vez foi ludibriado. A integridade do doloso ficou comprometida pela sua palavra disfarçada de verdade, pela sua intenção de induzir o seu próximo a crer numa falácia duvidosa.

O líder espiritual em especial, não pode eleger caminhos escorregadios. Sua palavra há de ser firme no sim ou não mais que qualquer outro que professe o cristianismo. Se há insegurança no comprometimento, seja ele de qualquer caráter, é sempre prudente deixar pendente a possibilidade de protelação. O líder tem que ser um referencial para a ovelha.

No caminho de Emaús, imbuídos de uma tristeza profunda, dois discípulos andavam enquanto questionavam a palavra do Mestre, aquEle que jamais os enganara, sobre Sua ressurreição, quando o próprio Jesus, ladeando-os, interroga sobre as preocupações sobre as quais tratavam enquanto caminhavam. Eles, após explicarem a história, contestaram: Ora, nós esperávamos que fosse Ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam.
De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não O viram. Lucas 24: 21,24.

Eles acreditavam absolutamente na palavra do Seu Mestre e esperavam certamente a ressurreição, e como Ele ainda não havia aparecido a eles, a desconfiança começou a minar-lhes a fé. Eram homens e, segundo Jesus, néscios e tardos de coração para crer até mesmo nos profetas que já haviam proclamado tudo que aconteceria ao Cristo. Não se deduz, no entanto, que aquela incredulidade advinha do fato de que os homens muitas vezes não podem crer absolutamente nas palavras uns dos outros e ainda mais com tantos falsos profetas?
Simplesmente Jesus, por amor a eles, procedeu de tal maneira que nenhuma dúvida pudesse anuviar seus corações ansiosos pela verdade.

“Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos.” Colossenses 3:9.

O Presidente Internacional do Ministério Peniel, com sede em Belo Horizonte, Pr. Reuel P. Feitosa, é um homem que admiro. Fui sua secretária particular e obreira do seu ministério durante vinte anos. O conheço pessoalmente no seu dia a dia, ele tem um amor notável a Deus e ao Seu reino, ele descreveu sobre nós, os cristãos, o seguinte:
“Somos depositários da Sua presença, portadores de tudo o que Ele É.Somos, no entanto, e principalmente, o instrumento da manifestação de Sua vida e presença no mundo.Cada um de nós é convocado a ser luzeiro de Deus; um foco de Majestade explodindo nas trevas.”

Como poderemos viver toda esta terrível e grandiosa responsabilidade em um mundo tenebroso, onde as hostes espirituais da maldade rodeiam-nos a todo instante buscando ocasião contra nós se não vivermos em transparência diante de Deus e dos homens?
Ananias e Safira julgaram haverem mentido a Pedro e aos demais, todavia, o apóstolo Pedro, cheio de discernimento, bradou: “Vocês não mentiram a nós, mas a Deus”, e acrescentou ao falar com Safira: “Por que entrastes em acordo para tentares O Espírito do Senhor?”.

“O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes.” Mateus 25:40.
Observemos que não se refere ao amor e cuidado por crianças, e sim entre nós adultos mesmo. Se eu dou comida, visito, dou água, visto, tenho o mesmo dever também de falar sempre a verdade com os irmãos, como se fosse Ao próprio Jesus.
Jamais devemos viver sob o peso da culpa por vergonha de confessar que mentimos e pedir perdão.
Não foi tarefa fácil para mim confessar a um casal com os quais eu trabalhava na obra que menti para eles. Embora sabendo que possivelmente eles me desnudariam diante de outros, como o fizeram, determinei no meu coração não viver com aquele fardo e confessei. Apesar da deslealdade deles, meu coração permanece livre até hoje. Lembro-me que mais umas pouquíssimas vezes tive que repetir a árdua tarefa com outras pessoas. Todas as vezes pareciam mentirinhas tão bobas, mas eram raposinhas que poderiam multiplicarem-se e destruir o meu senso de fidelidade e até começar a cauterizar a minha consciência. O mal se corta pela raiz.

“Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.” Mateus 5:37.
Lutemos por sermos semelhantes ao nosso Mestre. Pra. Guiomar Barba.

Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

TIRAI AS RAPOSAS E AS RAPOSINHAS


Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade.
Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca.
Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. (Tiago, 3:14-16).

Não há um lugar onde os espíritos que movem pessoas com essas emoções carnais citados por Tiago e muitos outros sentimentos da mesma categoria, tenham mais prazer de atuar, como entre irmãos em Cristo. Para eles é o mais excelente deleite vê-los guerreando entre si, abrasados por inveja, ciúmes, disputas, despeitos, maledicências, minando o amor fraternal o qual tanto almejou Jesus que houvesse entre nós: ”Pai, que eles sejam um”! E em conseqüência, retardando a obra de Deus entre os que ainda não chegaram ao conhecimento da verdade, uma estratégia que tem prosperado eficazmente para glória do reino das trevas.

Como é fácil se ouvir alguém denegrir um irmão em Cristo sem que isso incomode. Antes, leva a quem dá ouvidos à falsa concepção de que ele é mais santo porque não procede de igual modo. Hipocritamente, se alegra pelo argueiro que supostamente está no olho do seu irmão, porque alguém maldisse, e permanece cego pela trave que de bom grado carrega no seu próprio olho. Quando não, somos nós mesmos que julgamos o nosso irmão, por atribuir-nos o dom de discernimento, confundindo-o com o “dom de suspeita” que nos conduz a julgamentos maliciosos. O prazer de imaginar nudez nos outros adula o coração, que lhe parece “puro aos seus próprios olhos.”
Tendemos a ouvir os comentários negativos sobre alguém a quem Jesus ama e escolheu para servi-Lo sem ponderações. Não fazemos acareação, simplesmente ouvimos um lado da suposta história e já nos é suficiente para concluirmos negativamente sobre quer seja o caráter, a espiritualidade ou as fragilidades do nosso semelhante, procedendo assim injustamente diante de Deus e dos homens. O pior é que, geralmente nesses casos, se esfria o amor para com quem foi vítima da maldade, e na maioria das vezes quando ela percebe e procura saber a causa, cinicamente se nega que há indiferença ou camufla a verdade supondo enganar.
Uma vez escutei em uma reunião pública o pastor que estava ministrando fazer um parêntese olhando para outro e dizer: um sacerdote não fala mal de outro... O outro pastor que estava sendo ali exposto esboçou um sorriso de tranqüilidade. Realmente, nós fomos testemunhas de que esse pastor havia sido difamado e caluniado por um outro colega que costumava denegrir imagens, saberá Deus com que objetivo.

“... e a sétima Sua alma abomina: testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.”

O diabo sabe a quem usar e contra quem se levantar. Percebemos que ele visa aqueles que estão lutando pelo crescimento do Reino Celestial, que têm no coração a chama viva do Espírito e são capazes de renunciar a si mesmos por amor à obra. Satanás utiliza, então, exatamente os que aspiram estrelato entre os demais para minar a fé, o amor e ardor pelo servir daqueles que realmente foram vocacionados por Deus.

“Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida.” (3ª João 9).

“Mas o que faço e farei é para cortar ocasião àqueles que a buscam com o intuito de serem considerados iguais a nós, naquilo em que se gloriam.”
Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. (2ª Coríntios 11:12,13.)

Infelizmente todos nós caímos, uns mais, outros menos, na questão da maledicência e julgamento precipitado. Eu mesma costumo pedir ao meu marido, e até às vezes aos meus filhos, que se eu fizer qualquer comentário negativo acerca de alguém, que, por favor, me cortem de imediato. Ficamos farisaicamente revoltados quando sabemos que alguém disse mal de nós ou se apressou em julgar-nos. Conhecedor dessas nossas incoerências, o sábio Salomão aconselha:
Certamente não há homem justo na terra que faça o bem e nunca peque.
Tampouco apliques teu coração a todas as coisas que se falam, para que não ouças teu servo quando diz mal de ti; PORQUE TEU CORAÇÃO SABE QUE TU TAMBÉM DISSESTE MAL DE OUTROS. (Eclesiastes 7:20-22 – Bíblia Thompson – versão espanhola).
Tiago clama: Irmãos, não faleis mal uns dos outros. (4:11).

Como Deus gostaria de atender a oração de Jesus a nosso favor: Pai que
eles sejam um! Mas, nós mesmos, em detrimento de nosso crescimento espiritual e de uma vida abundante, escolhemos não obedecer. E nós, a igreja de Cristo, com certeza temos sofrido em decorrência da nossa desobediência de forma intensamente corrosiva.
O que seria necessário para levar-nos à unidade, mesmo com as nossas diferenças e mantendo firme as nossas identidades? Eu creio que transparência, lealdade entre os irmãos e submissão a Deus. Pra. Guiomar Barba.

“Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chama toda carreira humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno”. (Tiago 4:6).

Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

PECADO, PECADINHO E PECADÃO



Se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para a morte, pedirá, e Deus lhe dará vida, aos que não pecam para a morte. Há pecado para a morte, e por esse não digo que rogue. 1ª João 5:16.

Sempre ouvi que não havia tamanho de pecado e sim qualidade. Não entendo bem o que querem dizer com este jogo de palavras, mas me esforço para dar sentido a esta afirmação.

Jesus asseverou que tudo será perdoado aos filhos dos homens, os pecados que cometerem e as blasfêmias que proferirem.
“Mas aquele que blasfemar contra O Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno.” Marcos 3:28,29.

Esta afirmação de Jesus não anula outros pecados para morte, visto que esse pecado a que Jesus se refere no caso de blasfêmia difere dos pecados que geram a morte física, e não espiritual. A morte viria como disciplina. Pode parecer grotesca esta colocação. Exemplifiquemos, então, com a sentença de Deus para o nosso grande profeta Moisés, não esquecendo que foi o único homem que viu Deus pelas costas e com quem Deus falava cara a cara. Números 12:5-7.

E morrerás no monte, ao qual terás subido, e te recolherás ao teu povo, como Arão, teu irmão, morreu no monte Hor e se recolheu ao seu povo.
Porquanto prevaricastes contra Mim no meio dos filhos de Israel, nas águas de Meribá de Cades, no deserto de Zim, pois Me não santificastes no meio dos filhos de Israel. Deuteronômio 32:50, 51.

Lembremo-nos também que, mesmo na Nova Aliança, a justiça efetiva de Deus se manifestou contra pessoas que cometeram certos pecados que não podemos confundi-los com blasfêmia. No caso de Ananias e Safira, eles caíram mortos depois que o apóstolo Pedro os confrontou trazendo à tona a mentira Ao Espírito Santo, com a qual entre si acordaram para reterem parte do valor da venda que fizeram e que deveria ser ofertada espontaneamente. (Atos 5).

Tratando com o pecado de uma imoralidade tamanha como possuir a mãe do próprio pai, Paulo ordenou à igreja que, em Nome de Jesus, aquele que praticou grandiosa infâmia fosse entregue a satanás para destruição da carne, a fim de que o espírito fosse salvo no dia do Senhor Jesus. (1ª Coríntios 5:1-5).

Instruindo quanto à participação na Santa Ceia, Paulo adverte claramente:
Pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si.
Eis a razão porque há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. (1ª Coríntios 11:29,30).

Deus meu, quantos irmãos nossos negligenciam o auto-julgamento antes de participarem desse ato tão significativo e santo, sendo, portanto, julgados e, em conseqüência, disciplinados pela misericordiosa bondade de Deus para não serem condenados com o mundo! (1ª Coríntios 11:31,32).

Chegamos à conclusão lógica que os pecados são classificados e julgados por Deus de acordo com o conhecimento que temos da palavra, conforme a disposição do nosso coração ao cometermos a transgressão. E que há pecados pelos quais não devemos nem sequer orar, e outros ferem o coração de Deus de tal maneira que Ele determina tirar a própria vida das pessoas que os comete, conforme já citamos exemplos.
A uns Ele convida ao arrependimento, por mais evidente que seja o seu pecado:
Vinde, pois, e arrazoemos, diz O Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. (Isaias 1:18).
A outros Ele promete castigo severo, e ainda castigo mais brando a outros:
Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites.
Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a que muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão. Lucas 12: 47,48.

Quando algumas pessoas vieram a Jesus referindo-se aos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que os mesmos realizavam, imediatamente Jesus deixou claro: Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas?
“Não eram, Eu vo-lo afirmo; se, porém não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.”
Ou cuidais que aqueles dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém?
“Não eram, Eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.” Lucas 13:1-5.

Pecado, pecadinho ou pecadão, se não vos arrependerdes, igualmente perecereis. Não podemos negar, no entanto, que existem pecados grosseiros, e que Deus trata com cada um de nós de acordo com as nossas culpas. Mas louvamos a Deus porque onde abundou o pecado Ele fez superabundar a graça. Pra. Guiomar Barba
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